Sociologia e Filosofia no Ensino. Entre a importância e as dificuldades.

Fevereiro 8th, 2012 | Vinicius Araujo de Oliveira

Uma das discussões mais acirradas dentro da educação brasileira diz respeito ao ensino de Sociologia e Filosofia. Porém, após a publicação do artigo escrito por Reinaldo Azevedo À revista Veja intitulada “Ideologia na cartilha” tal discussão foi reforçada tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito público, principalmente nas redes sociais.

O que pretendo passar nesse breve artigo é minha experiência enquanto professor da rede estadual de ensino do Ceará e parte da estatística de educadores graduados em História que acabam por lecionar Sociologia e Filosofia apenas para complemento de carga horária.

Para nortear minha análise utilizo os seguintes dizeres do redator anteriormente citado Reinaldo Azevedo:

“As tolices dos reacionários da filosofia e da sociologia. Assim como essa gente não entende humor numa propaganda — e, por isso, vê na independente e milionária Gisele Bündchen uma agente do machismo! também não entende ironia num texto. Aquele em que afirmei que o Brasil precisa de menos sociólogos e filósofos e de mais entenheiros que se expressem com clareza continua a render protestos enfurecidos. E, como não poderia deixar de ser, quanto mais furiosos, mais burros. É evidente que não quero banir a sociologia e a filosofia do país ou da escola. O que já deixei claro é que essas disciplinas não podem integrar a grade curricular sacrificando-se aulas de português e matemática. O desempenho dos estudantes no ensino médio nessas áreas já é sofrível hoje; imaginem se as aulas forem cortadas.” In: Blog Reinaldo Azevedo. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/as-tolices-dos-reacionarios-da-filosofia-e-da-sociologia/ Acessado em: 08/02/2012. Adaptado.

É fato que um dos entraves na educação com relação às disciplinas de Filosofia e Sociologia está relacionada à reduzida carga horária de uma aula por semana. Se levarmos em conta que uma aula geralmente dura 50 minutos podemos concluir que é humanamente impossível transmitir dois conhecimentos pautados em análises teóricas e reflexão a cerca das diferentes realidades históricas vividas pela humanidade. A visão filosófica e sociológica tem um importante papel no desenvolvimento do senso crítico e da cognição reflexiva dos alunos. Não é apenas uma transmissão teórica. É um trabalho de construção e desconstrução da realidade e de suas características culturais. Porém, o grande erro na crítica feita pelo colunista da Veja é analisar os problemas de tais disciplinas pelo viés da redução das aulas de Português e Matemática. O problema não é esse.

A redução da carga horária de outras disciplinas é apenas uma estratégia de arranjo e flexibilidade da escola. Se o ensino fosse pautado apenas em Matemática e Português teríamos a vitória do mercado de trabalho substituindo a mão de obra analfabeta por uma alfabetizada e que sabe utilizar as quatro operações, ou seja, a velha expressão “crítica-matemática” do trocar seis por meia dúzia. Não podemos negar que as Ciências Humanas ainda são percebidas como perigosas, pois tem o senso crítico como carro chefe. É fácil tachar tais disciplinas como “ideológicas”, principalmente esquerdistas, diga-se de passagem. Porém, é raro qualquer meio de comunicação de massa sendo revista ou televisão trazer um professor de ensino médio e perguntar como ocorrem tais problemas na prática e quais as possíveis soluções para o fim dos mesmos. Não nego que o olhar de fora é sempre importante. Mas as ciências humanas ensinam que não existem verdades absolutas e sim diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto. O problema é muito mais profundo.

Ainda existe uma forte mentalidade dentro da educação brasileira que coloca o professor de História como apto a dar aula de Sociologia e Filosofia. Reflita sobre essa simples questão: Qual aula teria maior aproveitamento? Filosofia ministrada por um professor de história ou filosofia ministrada por um filósofo?

A resposta é lógica. Muitos podem concluir então que faltam professores de filosofia e sociologia nas escolas. Negativo. Eles existem e são numerosos. Mas infelizmente muitos deles estão dando aula de História para complementar a carga horária. Parece piada, mas esse é o problema central. Um professor de filosofia e sociologia para ficar lecionando apenas sua disciplina tem que se lotar em mais de duas escolas. Imagine como seria a vida de um professor dando aula em locais extremos de uma metrópole? Infelizmente nossos educandos perdem em dois aspectos. Não serem instruídos devidamente em disciplinas onde o professor é originalmente formado e sofrer com uma política educacional que não se importa com a própria educação.

Não quero desmerecer os professores das Ciências Humanas que lecionam outras disciplinas. Precisamos sobreviver, nosso esforço é valido. Porém, sabemos que a contribuição seria muito maior com um profissional apto para sua respectiva faculdade intelectual e com uma carga horária decente.

Woody Allen, Juventude, Universo Paralelo e Memória:

Junho 24th, 2011 | Vinicius Araujo de Oliveira

Da mesma forma que as cores são relacionadas a um tipo de sentimento, os filmes para mim demonstram o mesmo efeito. Meia Noite em Paris além de ser um filme normal e chato para muitos se tornou um experiência maravilhosa para minha pessoa por não ter ficado apenas projetado em uma tela. No momento em que a mente ansiosa de um homem o leva questionar o presente buscando suas influências do passado, eu passei a perceber o local onde estava de uma maneira estranha e ao mesmo tempo curiosa. Tinha momentos que a sala de cinema participava do filme, jovens se misturavam a idosos esboçando diferentes reações e se assemelhando nas risadas. O ar ficou tão inebriado pelo filme que passei a perceber a sala como a união entre passado e presente. Até o senhor sentado ao lado esquerdo parecia a minha concepção de velhice futura. Engraçado escutar a critica de um casal (mais ou menos de 30 anos) sobre o filme: “A questão da nostalgia foi desnecessária”. Ora! Se não fosse a nostalgia, não existiria memória, e sem a memória não haveria História, quanto menos um filme sobre as maravilhas do passado.

Obrigado velho Allen, eu sei que nunca me sentirei tão bem em um filme novamente. Mesmo vendo uma segunda vez. Porém, tal sensação ficará eternamente em minha memória.

Fortaleza,24 de junho de 2011.

O poder que cega a união

Março 28th, 2011 | Vinicius Araujo de Oliveira

Olá a todos!

Ovelhas Brancas

Gosto de usar esse blog quando sinto necessidade de escrever sobre algo que me atraiu. Bom. Depois que eu vi o filme “A Onda” http://pt.wikipedia.org/wiki/Die_Welle senti uma necessidade de refletir sobre a atual virada política que está acontecendo no mundo. Ressaltando principalmente a Europa.

Primeiramente queria listar conceitos que vou utilizar durante um texto, tipo um mini glossário:

Extrema Direita: É a denominação dada a posições políticas situadas no extremo direito do espectro ideológico, como o fascismo. Posições extremadas tendem a se fortalecer em períodos de crise, como aquele que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Geralmente grupos de extrema-direita repudiam tanto o comunismo quanto o liberalismo, assim como os estrangeiros e imigrantes, e defendem ideias como nacionalismopatriotismo.

Em alguns países é associada ao militarismo para tomada do poder

http://pt.wikipedia.org/wiki/Extrema-direita

Ditadura: É o regime político em que o(s) governante(s) não responde(m) à lei, e/ou não tem legitimidade conferida pela escolha popular. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura

Já tem algum tempo que me deparo com notícias pela Internet ressaltando e existência de atos racistas e xenofobia. Não que isso nunca tenha existido. Porém, a forma com que tais atos se tornam públicos e a intensidade com que eles estão acontecendo me preocupa.

Partidos de extrema direita vêm crescendo em termos de importância e apoio rapidamente em países da Europa.  Em outros locais do mundo percebemos atitudes de repúdio à estrangeiros , desrespeito a monumentos religiosos e atos de violência pautadas por ideologias totalitárias.

Geralmente o ideal de extremismo é relacionado ao papel da união popular para salvar certa localidade, cidade, estada ou país de um problema diverso.  Até aí tudo bem. O grande problema é quando tal união popular passa a desrespeitar opiniões contrárias, sem ouvi-las, a situação sai do controle.

É dentro desse nacionalismo e orgulho patriótico cego que o poder acaba literalmente substituindo a união popular e passa assim a envenenar o censo de criticidade presente em todo ser humano.

Já escutei pessoas falando: “Tenho saudades da Ditadura”. “A disciplina é que da certo”. “Homem que é homem aprende no exército, levando ordem e porrada”

Já vi propagandas políticas: “Somos a favor da pena de morte” “Minha religião é o verdadeiro caminho”.

A tal Extrema Direita não é um partido político, não está vestida de colarinho branco, não está no governo. Ela mora nas nossas atitudes e na falta de análise crítica, cegada por um modelo que se acha perfeito ou o salvador da pátria.

Se formos tentar achar uma forma de acabar com essa intolerância iremos encontrar o conceito de União em frangalhos. Ela está separa por fronteiras, símbolos, bandeiras, hinos, heróis fictícios.

E onde está a resposta?

Criticidade. Não é ficar em cima do muro e esperando para que lado você vai cair. É apenas conversar e aprender a escutar críticas. E principalmente respeitar.

Simples não? Queria agradecer aos Gregos pela lógica. Sem ela não estaria escrevendo agora.

Boa semana!

Tentativas de uma tirinha tosca no paint: 1 “Os Costas”

Fevereiro 26th, 2011 | Vinicius Araujo de Oliveira

Olá a todos!

Eu acho que criei esses caras no 3º ano… ou não. Mesmo assim, agradeço a meu grande amigo Madson Miranda por ter gostado da idéia, o único até agora. Além do humor clichê da política brasileira, percebam que até um cara com tremedeira faria linhas mais retas. Dane-se eu gostei… e o Madson também hehe.

Primeira e única tentativa

“Brasil”

Fevereiro 2nd, 2011 | Vinicius Araujo de Oliveira

Olá mais uma vez depois de muito tempo.

Política de novo? Sim!

A única vez que eu lembro de ter falado tanto em Egito foi quando eu dei aula de História Antiga. Nunca pensei que essas últimas manifestações pudessem me despertar admiração e inveja ao mesmo tempo. Tirando as questões de saques, mortes e violência, o que na minha opinião infelizmente são características de uma revolução, é lindo para meus olhos ver como a união popular consegue mesmo que por alguns dias ou semanas travar a máquina de um sistema político falido e cansado. E olha que é uma batalha antiga.

Mas porque Admiração e inveja?

Simples. Mais uma vez a política brasileira provou que “panela velha é que faz comida boa”. Velha eu concordo, mas boa está longe. É triste presenciar mais uma vez a eleição do personagem coronelista (aos moldes da primeira república) e figura que denota tudo o que é de anti-democrático e conservador em nossa curta História democrática, José Sarney. Eu não entendo como isso é aceito com naturalidade. Infelizmente a frase que eu mais combatia é a frase que está diariamente me convencendo: “Brasileiro tem memória curta e é acomodado”. Triste! Mas real.

Não vou cair aqui no saudosismo dos movimentos populares da ditadura militar pois existiram outros após. Infelizmente de contar nos dedos e aqueles que a mídia tratou de “falar”. Somos um país coberto de poeira e teias de aranha. Muitos dizem que aqui a sujeira é varrida para debaixo do tapete. Pelo contrário, infelizmente nós somos o tapete. E a sujeira que é acumulada diante de nós fede ainda com leves toques coloniais. É fácil chamar político de ladrão, corrupto e etc. Agora criticar a passividade do povo? Nunca. Para mim o combate político versus povo é a mesma coisa que utilizar a frase ” O sujo falando do mal lavado”.

Será então que se o brasileiro fizer igual ao Egito tudo ficaria bem? Sei lá. Se eu soubesse o futuro estaria bilionário e não estaria escrevendo isso. Mas o que eu ainda acredito é que se tenha, pelo menos, consciência que a união gera uma força incrível e que pensar e agir em coletividade ainda funciona, mesmo que pareça utópico. Tudo é tão antigo e conservador no Brasil que até o título desse artigo remonta uma música dita clássica no rock nacional e que mostra claramente o que vivemos hoje.

Essa música eu escutei dentro de um shopping enquanto demorava em uma fila interminável para comprar um filme norte americano. O mais engraçado é que graças a fila e a vontade de consumo me fizeram refletir sobre ela:

Brasil

Cazuza

Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha…

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer “sim, sim”

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair…

É necessário fazer as perguntas certas

Novembro 6th, 2010 | Vinicius Araujo de Oliveira

Olá leitores!

Finalmente de volta! E como professor do estado a vida também é corrida.

Hoje trago uma matéria da revista ALFA. Não que eu compre ou faça propaganda… Mas o conteúdo de que vou comentar hoje é de extrema importância.

Logo que comprei por uma bagatela de R$55,00 o quadrinho “Notas sobre Gaza” Joe Sacco entrou no Hall dos caras que merecem respeito.

Falar de uma guerra que não acaba é complicado, ainda mais passar essa idéia para os quadrinhos não é nada fácil.

Perceber o que é o conflito entre Israel e Palestina é entrar em contato com pontos de vista variados. É complicado responder que está certo e quem está errado. Porém, no meu modo de ver, essa pergunta não é a principal e nem a correta a fazer.

O grande problema nessa conturbada região não é religião, nem etnia. Entender esse conflito é analisar como o ódio pode aflorar no peito de uma pessoa ou de uma nação.

Vivemos em um momento onde as políticas são voltas para o interesse individual, excluindo completamente o coletivo.

O modo como o Estado de Israel foi criado é o cerne do conflito. Não me venha com rivalidade bíblica ou massacre nazista na Segunda Guerra. Estamos falando de pessoas que foram expulsas de sua terra e colocadas em situação de penúria, para que outra nação surgisse. Pedras contra Mísseis e não sinagogas contra mesquitas.

Para saber sobre o conflito Israel e Palestina se pergunte e procure saber:

Quem se beneficiou com a criação de Israel?

Quem são os verdadeiros “Terroristas”?

Que tipo de riqueza econômica o Oriente Médio fornece para o mundo?

Quem sai ganhando com essa Guerra?

Alguém pediu uma opinião para o POVO de Israel ou o POVO da Palestina?

Existem muito mais perguntas a serem feitas. Eu quero mostrar aqui de que forma se questiona. Se para a História a conclusão fosse um ponto final esse conflito já teria acabado. Por isso a melhor resposta é o questionamento.

Se eu fosse para a região de Israel eu perguntaria para a população, “Você queria que fosse assim?”

Liberte-se e Escreva!! Boa Semana!

Joe Sacco

“O herói faz o que deve ser feito”

Em conversa exclusiva com ALFA, o cartunista Joe Sacco jamais se intitula herói. Difícil não lembrar o termo quando se sabe que passou meses na Faixa de Gaza e correu risco de morte ao investigar um esquecido massacre de 1956 – a maior chacina da guerra israelo-árabe

Sacco: sufoco em Gaza

George Orwell e Hunter S. Thompson são os heróis de Joe Sacco, norte-americano nascido em Malta há 49 anos. O primeiro viveu como mendigo para escrever Na Pior em Londres e Paris; o segundo apanhou dos Hell’s Angels ao investigar os motoqueiros. A inspiração explica a compulsão de Sacco por escrever – e desenhar – eventos tão perigosos quanto a guerra da Bósnia ou os conflitos no Oriente Médio, sempre retratando-se dentro da reportagem, sem medo. Na obra-prima Notas sobre Gaza, o autor de Uma História de Sarajevo e Palestina registra a pesquisa sobre uma esquecida noite de 1956, quando 270 civis palestinos foram massacrados por soldados israelenses – a maior chacina da história do conflito israelo-árabe.

Obcecado pelo fato jogado na lata de lixo da História, Sacco entrevistou dezenas de palestinos, que se espantavam: “Para que querer saber disso, se nos bombardeiam agora mesmo?”. “São essas notas de pé de página que fazem a história girar”, falou ele à ALFA direto de seu estúdio em Portland, EUA. Enquanto Sacco reconstitui o massacre com suspense e ainda descreve a situação kafkiana dos habitantes da região mais superpopulada do planeta, que vivem sob o embargo norte-americano e europeu e são obrigados a comerciar com o mundo através de túneis que furam a fronteira com o Egito. “A situação nunca esteve tão ruim”, conta ele. “As pessoas estão presas lá dentro como numa ratoeira. Esse verão foi terrível: houve períodos sem eletricidade e as pessoas fritavam em suas casas. Em todo lugar você escuta os geradores funcionando dia e noite, sente o cheiro da gasolina bombeada pelos túneis… Aquilo está a ponto de explodir”, afirma.

Notas tem várias camadas. O livro mistura a investigação dos massacres de 1956 nas cidades de Rafah e Khan Younis à reportagem sobre Gaza entre novembro de 2002 e março de 2003, logo antes de os EUA invadirem o Iraque. Isso sem deixar de fazer a crônica palestina, relatando os sofrimentos e astúcias de quem vive numa ratoeira de um milhão e meio de pessoas – nem descuidar do humor, como quando se autorretrata fugindo das balas israelenses sob risos dos amigos palestinos. Apesar da simpatia pelos perrengues árabes, Sacco jamais toma partido ideológico de qualquer lado do front. Como o livro foi recebido em Gaza? “Recebi críticas favoráveis, porque o livro chegou via internet, mas não sei a opinião geral porque ainda não abriram nenhuma livraria naqueles túneis bacanas”, brinca.

Há solução para a Palestina? “Essa é fácil!”, ri o cartunista. “Vejamos… Primeiro, não é possível ir em frente sem falar com o Hamas. O partido não é muito querido em Gaza, porque tem se mostrado autoritário e violento, mas é respeitado porque é visto como incorruptível – em especial se comparado à Autoridade Palestina”, afirma. O jornalismo tem descrito com precisão os conflitos no Oriente Médio? “Nunca houve tanta oferta de informação. Mas os prazos exíguos forçam a informação a perder meios tons. O jornalista fala com o político, o militar, o religioso, a vítima e acaba sem espaço para dar o contexto daquele fato – que vira evento isolado, sem a riqueza do processo. No fim, temos tediosos números que não dizem nada”, analisa.

Sacco entrevistou desde ex-combatentes quanto guerrilheiros do Fatah – como o enigmático Khaled, um assassino procurado que faz um veemente discurso contra o suicídio de jovens árabes como arma contra os israeleneses. A certo momento das Notas, Sacco fornece certa lógica ao descrever como um homem-bomba se torna alguém reconhecido positivamente pela comunidade. Esse verdadeiro nó moral o fez mudar sua concepção de herói? “Acho que herói é só um cara que fez a coisa certa. Porém, é difícil dizer o que é certo em lugares tão conturbados. O herói tem um senso de integridade até quando precisa fugir. E o herói pode ser simplesmente o cara que, sozinho com uma metralhadora em campo aberto, podendo matar toda uma família de supostos inimigos, não o faz”, diz, lembrando uma sequência em que um oficial israelense mostra uma humanidade insuspeitada. Tão inesperada quanto a ousadia de um desenhista que se mete numa guerra para pesquisar uma história esquecida – e prova que a guerra no Oriente Médio, conforme o dito palestino, “é contínua e eterna”.

Crédito do Artigo: Ronaldo Bressane. http://revistaalfa.abril.com.br/blogs/em-alfa/2010/10/27/%E2%80%9Co-heroi-faz-o-que-deve-ser-feito%E2%80%9D/

Acessado em: 60/11/2010, 16:30.

Falta de seriedade no país das piadas prontas

Agosto 1st, 2010 | Vinicius Araujo de Oliveira

Olá mais uma vez!

O título já tem cara de crítica. E é isso mesmo.

Desde que lutamos pelo retorno da democracia durante a ditadura militar, o que era idealizado pela maioria dos brasileiros pode ser definido como seriedade e liberdade de expressão. Infelizmente não foi bem por aí.

Nosso primeiro presidente civil depois de 20 anos de repressão foi escolhido pelo voto indireto. O primeiro presidente escolhido de maneira direta foi Fernando Collor de Mello, hoje senador. Proibiram a lei da anistia de ser revista, ou seja, torturadores estão livres e continuam imortalizados com nomes de rua e prédios universitários.

Poderia falar mais. Sim! Claro!

Porém, nos últimos anos percebemos algo pior. A falta de seriedade que tanto foi almejada em fins de 1985.

1º: Nós somos um país democrático. Mesmo assim, o voto continua obrigatório. E qual é o problema? Simples: De quatro em quatro anos a grande maioria dos brasileiros seguem as duas principais filosofias eleitorais: “Ele rouba, mas faz” ou “É! Vou votar no menos pior!

2º: Se o Lula, semi-analfabeto virou presidente, por que não?  A partir disso, uma onda de “artistas” invadiram as propagandas eleitorais, mais do que já existiam, fazendo com que aquilo que já não era sério se tornasse uma verdadeira palhaçada. E o pior é que seus eleitores, descrentes de um país que possivelmente possa a vir melhorar, votam pensando que estão colocando pessoas sérias no poder, elevando mais ainda nosso querido Brasil ao país do “Obrigado, obrigado, tome um macaco” (Stallone).

Depois que eu vi a lista de candidatos “famosos” para essas eleições, o que me parecia uma piada de mau gosto, virou uma descrença incondicional em um futuro melhor.

Não estou tirando o direito de qualquer um se candidatar. “O problema é que são essas pessoas que me fazem olhar para o mapa mundi e dizer: Tchau Brasil, você já deu o que tinha que dar”.

Lembro da candidatura de Débora Soft, “dançarina” famosa das noites de Fortaleza. Virou vereadora. E o que isso tem a ver com título?

A piada após sua eleição: “Se votamos no filho, porque não votar na mãe?”.

Eu ri. Infelizmente.

Se alguém tem uma solução, diga. Se não, apresente sua revolta. Mesmo querendo sair do Brasil nós vamos continuar morando aqui, não temos dinheiro suficiente mesmo.

Boa Semana!

Liberte-se e Escreva!

* Créditos blog: http://www.naosalvo.com.br

* Para ver mais: http://www.naosalvo.com.br/vc/20-candidatos-famosos-para-voce-nao-votar-em-2010/

“Evolucriacionismo”

Julho 25th, 2010 | Vinicius Araujo de Oliveira

Dois Lados

Olá mais uma vez!

Mudaremos hoje um pouco o rumo das discussões. Entremos agora em um dos embates mais improdutivos (minha opinião) da História: Evolucionismo x Criacionismo.

O Criacionismo é uma corrente aceita principalmente pelos cristãos, independente da instituição que prega essa religião. Sua crença consiste em perceber a formação do universo e do homem a partir do primeiro livro da Bíblia, o Gênesis. Para eles a explicação máxima provém justamente do poder divino, ou seja, Deus. A briga com os cientistas ocorre justamente na inexistência de provas para justificar a nossa criação.

O Evolucionismo é a corrente criada a partir dos estudos de Charles Darwin no século XIX e na formação da teoria do Big Bang. O início dos estudos científicos a partir do dito século tinham como objetivo o conhecimento da natureza, principalmente a busca de explicações concretas e aplicáveis de fenômenos antes pertencentes ao meio religioso. Para eles o universo foi criado a partir de uma explosão. Dessa forma, se iniciou um processo de formação e evolução. Entender o Evolucionismo é refletir sobre a frase, “Nada se cria tudo se transforma”. A briga com os religiosos se baseia justamente na crença que nada prova, ou seja, só a ciência demonstrativa pode chegar a uma explicação.

Então, porque chamar essa discussão de improdutiva?

Simples. Como separar duas coisas que estão profundamente ligadas?

Desde que tomou conhecimento (chamaremos assim), o Homem sempre tentou explicar o motivo de sua existência. Ora atribuindo a poderes sobrenaturais ora experimentando na prática e se adaptando. Pra cada período que passamos melhoramos algumas experiências e carregamos junto com elas heranças muito antigas. Religião e Ciência nada mais são do que filhas dessas ditas experiências que continuaram ou que foram alteradas para sobreviver ao momento específico da História. Prova maior? Exemplo: Os principais artistas do Renascimento foram considerados um dos primeiros cientistas por acreditarem na idéia do conhecimento universal. Porém, percebam que grande parte das obras desses notáveis são atribuídas a passagens bíblicas, ou seja, por mais que se criticasse o cristianismo pregado pela Igreja Católica, eles nunca se afastaram da crença transcendental.

O que infelizmente vemos hoje é uma intolerância de ambos os lados. Ou seja, uma regressão de algo que um dia já foi unido e visivelmente conciliável. Um exemplo disso foi a tentativa do ex-presidente norte-americano George W. Bush em obrigar o Criacionismo nas escolas, afirmando que a sabedoria provém unicamente da Bíblia.

Por mais que tenhamos uma visão limitada da vida material, é importante para o Homem ampliar seus campos. Dessa forma, é possível iniciar a ampliação de um caminho que não se limita apenas aquilo que nós chamamos de cérebro.

Qual sua opinião sobre isso?

Liberte-se e escreva!

Boa semana e obrigado por postar!

O valor da Educação.

Julho 18th, 2010 | Vinicius Araujo de Oliveira

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO

Jô Soares

“O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia’.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um ‘caxias’.
Precisa faltar, é um ‘turista’.
Conversa com os outros professores, está ‘malhando’ os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a ‘língua’ do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu ‘mole’.
É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui,
agradeça
a ele!”

Olá mais uma vez!

Antes e mais nada eu queria agradecer a meus amigos Madson e Lorena por me darem uma luz sobre o post da semana.

Esse texto de Jô Soares vem em ótimo momento para discutir o papel da educação no Brasil. Não criei esse post para representar ou defender uma única profissão. Ser educador está além da sala de aula e além do ofício de professor, está no cotidiano. Para mim é uma honra transmitir o conhecimento para as pessoas e ao mesmo tempo aprender com as várias experiências de vida.

O salário é pouco, os incentivos são mínimos a estrutura é precária. E daí? O ser humano está vivo até hoje por que se adaptou a condições extremas e utilizou a criatividade para continuar em frente. A educação também faz parte desse processo. É mais do que certo não se conformar, lutar por um salário melhor e um ótimo ambiente de trabalho é importantíssimo. Porém, também é certo continuar estudando, continuar inovando e sempre afirmar que o seu papel é formar cidadãos. Não existe caso perdido, existe primeiro um problema. Cabe ao educador encontrar um meio de resolvê-lo.

Lute muito pelos seus direitos, mas não espere que o Governo vá escutar seu grito no meio de milhões. Fazer a diferença é fazer por conta própria porque você gosta e pronto.

Infelizmente muitos professores que lêem essas palavras dão risada e dizem:

- “Rapaz novo, cheio de idéia. Quero ver aguentar a vida inteira”.

Desculpem acomodados, vocês estão na profissão errada. Ao invés de olhar para o próprio umbigo lembre-se que suas palavras atingem pessoas e não paredes mortas e imóveis.

Agradeça a seu professor, eu disse PROFESSOR, e não aquele que um dia desrespeitou seu potencial. Esse é apenas mais um que não teve educação ou virou as costas para ela.

Quantos bons professores você teve?

Liberte-se e Escreva!

Ótima semana.

O Valor do Voto

Julho 12th, 2010 | Vinicius Araujo de Oliveira

Foto de Luciano Andrade. © copyright.

Legenda da foto:

“No Plenário da Câmara, o deputado Homero Santos (PFL-MG) vota duas vezes contra a extensão dos dois turnos nas eleições municipais de novembro de 1985. Ele apertou o botão de sua poltrona e o da poltrona vizinha, que estava vazia, fraudando o resultado computado no painel eletrônico. O episódio ficou conhecido como ‘Os Pianistas’.”
13 de junho de 1985
DP 0125

Boa semana leitores. Primeiramente, levando em conta a linha de pensamento do meu amigo Marcus Holanda, depois da copa o assunto do momento são as eleições para a presidência do Brasil. Não vou usar discursos de campanha ou valorizar partido X ou Y, esse não é o objetivo do blog. O questionamento que abre a discussão é: “Qual a importância do seu voto?”. A Democracia nos dá o direito de usarmos o voto para eleger os líderes que vão nos representar na difícil gestão do país. Infelizmente esse conceito no Brasil é contestável de várias maneiras, por isso a utilização dessa foto Histórica tirada após a redemocratização.

A questão do voto divide os brasileiros em aqueles que acreditam e os que não acreditam em seu poder. Não tiro o crédito de nenhum dos lados. O que eu realmente quero com esse post é destacar a importância do voto enquanto uso consciente e exercício não só da cidadania, mas também da autonomia de decidir em quem votar. Se o poder de escolha é tão importante, porque dá-lo? Porque vendê-lo? Porque entregá-lo?

A Internet vem como meio de pesquisarmos sobre os candidatos, sabermos suas propostas e assim ter subsídios para decidir quem escolher. Uma coisa que eu aprendi foi “Só critica ou acusa aquele que sabe o que está falando e tem conhecimento suficiente para fazê-lo, ou seja, procure, pesquise, pergunte!”.

E vocês? Que valor teria o voto? Nossa política seria melhor com o voto consciente?

Liberte-se e Escreva! Boa Semana.

P.S: Essa foto foi publicada pelo Jornal do Brasil em 1985. Quem quiser ler a notícia na íntegra do original acesse: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=3246